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Desde o século XIX a Rússia esteve na crista da onda do teatro europeu. Dramaturgos como Anton Tchekhov e Nicolai Gogol, ou ainda posteriormente Vladimir Maiakovski, são reverenciados entre muitos outros que não nos deixam mentir. É certo que muitas obras foram guardadas e proibidas na época de Stalin, quando o único gênero permitido era o Realismo. O ditador julgava que outros estilos tinham como intenção protestar contra a sociedade capitalista e não se adequavam à União Soviética que já havia feito sua revolução.

O resultado, é claro, foi decepcionante. O teatro da revolução - para quem teve a oportunidade de ler - é de uma ingenuidade patente. E não tem o prestígio da produção anterior. Com esse tipo de herança policialesca e com o predomínio da intolerância durante tanto tempo, é possível admitir a censura imposta a "Querida Helena", obra de Ludmilla Razoumoskaya, mesmo em 1981. Liberada somente em 1987, a peça é a mais nova estréia do Teatro Aliança Francesa.

Desde o fim da censura o espetáculo transformou-se em sucesso primeiro na Estônia. país natal da autora, depois na Rússia, onde ela mora, depois na Europa, Argentina, Chile e Estados Unidos.

Entre os motivos da proibição estava o fato de que a peça retratava jovens de comportamento violento e imoral. Leia-se tentativas de chantagens. Para nós, temas corriqueiros desde o Realismo, com seus conflitos de gerações e mais ainda, do Sur-realismo e do Expressionismo. Estes movimentos retratam os jovens como a única esperança, já que os adultos estavam contaminados pelo sistema e eram no mínimo castradores. Afinal a arte da época tinha como base Sigmund Freud, Carl Jung e até mesmo Karl Marx.

Vale notar que o teatro produzido nesse período era escrito segundo o ponto de vista dos jovens, enquanto que essa peça é escrita com o foco da professora Helena (Eliana Guttman) e de seus pupilos (Alan Medina, Cássio Inácio, Clarissa Kiste) que adentram a casa da mestra com um bolo de aniversário, liderados por Volódia (Theodoro Cochrane). Como o público sabe que se trata de um texto censurado, todo mundo fica buscando as diferenças e semelhanças com o modo de vida do Ocidente o que torna a peça instigante.

Não dá para tirar os olhos das cenas. Talvez tenha sido por isso que Iacov Hillel se encantou ao assistir a montagem francesa, articulando, em seguida, os direitos autorais. Ludmilla tem um perfeito domínio da escrita dramática (carpintaria teatral) e muito vigor. É impressionante! Segundo Tatiana Berlinki, responsável pela tradução, a escritora andou fazendo muitos cursos de dramaturgia na Europa, e é hoje considerada a melhor autora teatral da Rússia, tendo lançado cerca de quinze peças e dois roteiros cinematográficos. No Brasil essa é sua primeira obra encenada.

O cenário e figurinos de José de Anchieta são bem simples e adequados, pois trata-se da casa de Helena e dos alunos que chegam sem nenhuma sofisticação. Os atores estão muito bem, principalmente Eliana Guttman e Theodoro Cochrane. Sente-se a mão de Hillel na completa integração do elenco, nas marcações como sempre competentes e variadas. Ele se encarrega também da luz, que tem mais variações do que seria necessário. Cabe ainda destacar a ótima trilha de Sérgio Igor Schnee.

(Gazeta Mercantil/Fim de Semana - Pág. 5)(Maria Lúcia Candeias - Doutora em teatropela USP Professora da Unicamp) - 07/10/2005

 

"Nota 10 para Eliana Guttman, a Tzipora de "Esperança". Ainda desconhecida na TV, a atriz que vem do teatro, já chegou na novela arrasando. Promete cair nas graças do telespectador como aconteceu com Jandira Martini em "O Clone"."
Patrícia Kogut - Jornal O Globo - 26/06/2002

"Uma das grandes atrizes brasileiras está de volta a São Paulo em curta temporada no teatro João Caetano. A versátil Eliana (que depois de fazer uma judia na novela "Esperança" interpretará uma nazista no filme "Olga") volta com a imperdível peça "O Enigma Blavatsky", que conta a saga de Helena Blavatsky -- a ocultista russa do século 19."
Quem é legal e quem irrita - Ricardo Feltrin - Folha de São Paulo - 05/11/2003

"A atriz Eliana Guttman merece um destaque. Para uma atriz com forte ligação cultural com o judaísmo fazer o papel de uma enfermeira nazista (em Olga) foi um grande desafio profissional."
José Roitberg - jornalista

 

..."Agora, se o esforço é demasiado e nada mais ajuda, nem a dramaturgia frouxa, nem os diálogos artificiais (com erros crassos de concordância, ainda por cima), nem a canastrice geral das interpretações (com exceção de Eliana Guttman), as inverossimilhanças assumem o primeiro plano e impedem mesmo a fruição mais básica, mais rasa."...

Bia Abramo - Ilustrada - 11/06/2006

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